A campanha do Natal Sem Fome, idealizada por Betinho e organizada pela Ação da Cidadania, começou em 1994 e por 13 anos mobilizou o país, distribuindo 32 mil toneladas de alimentos a 15,5 milhões de pessoas e denunciando o absurdo que era a fome pelo Brasil. O grito da sociedade demorou, mas finalmente se fez ouvir. As políticas de complementação de renda e de aumento real do salário mínimo, iniciadas na primeira metade dos anos 2000, associadas ao crescimento econômico, trouxeram a notícia mais desejada: a campanha deixou de ser necessária, a partir de 2007.

Por isso, durante dez anos, o Natal Sem Fome tomou outros rumos, com mobilizações por cultura, por exemplo. Porém, desde 2016, com o aumento do desemprego e a mudança no cenário político, os comitês da Ação da Cidadania espalhados pelo país passaram a reportar a volta da insegurança alimentar em escala inaceitável. Apenas dois anos após sair do Mapa da Fome da ONU, o que aconteceu oficialmente em 2014, o país já tinha quase 15 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza. Hoje, estima-se que 25 milhões sobrevivam com menos de 220 reais por mês.

Em 2017, então, o Natal Sem Fome foi retomado e conseguiu, com o apoio da população e de empresas, distribuir 900 mil quilos de alimentos a 400 mil pessoas. Este ano, em que a Ação da Cidadania faz 25 anos, a campanha tem por objetivo chegar a duas mil toneladas, em benefício de um milhão de pessoas. Para isso, contamos com a participação de mais empresas, voluntários e doadores.

Há muitas formas de contribuir: doações diretas, em dinheiro ou produtos; estrutura logística para recolher alimentos; campanhas internas para incentivar doações entre funcionários, por meio de gincanas, por exemplo; divulgação do Natal Sem Fome nas redes sociais; iniciativas de recolhimento de alimentos em prédios, clubes e locais de concentração de pessoas.

Pelo site www.natalsemfome.org.br é possível obter mais informações. Participe e levante sua voz novamente, pois precisamos denunciar esse retrocesso para fazer com que o país volte a adotar políticas que garantam a todos os brasileiros o direito à alimentação, sem o qual não há cidadania.