O brasileiro vem tendo dias difíceis para o sistema nervoso – mas a trégua está longe. O choque da execução da ativista, socióloga, quinta vereadora mais votada da segunda maior cidade do país foi substituído pelas fortes emoções nas seguidas homenagens em todo o país.

Teve também a indignação contra as notícias falsas espalhadas a bel prazer nas redes sociais, com boatos que não valem a pena ser repetidos nem para apontar a lama podre que ocupa a caixa craniana de alguns brasileiros.

E, agora, mais um petardo, uma bomba de ritmo e poesia empurrada pela batida incendiária do grupo Heavy Baile.

Segundo um especialista convocado pela reportagem, trata-se de dever cívico assistir a este clipe e espalhá-lo sem restrições. Tão cívico quanto pagar impostos, obedecer as leis, a polícia e votar para vereador (sem que ele termine morto por fazer o que prometeu em campanha: ficar no pé da massa corrupta na segurança do Rio de Janeiro).

Sem mais. Abaixo, a poderosíssima letra transcrita.

Marielle Franco – MC Carol (Feat. Heavy Baile)

Vocês querem nos matar, nos controlar
Vocês não vão nos calar
Mesmo sangrando a gente vai tá lá
Pra marchar e gritar

Eu sou Marielle, Cláudia, eu sou Marisa
Eu sou a preta que podia ser sua filha
Solidariedade, mais empatia
O povo preto tá sangrando todo dia

Eu não aguento mais viver oprimida
Nesse país sem democracia
Tou me sentindo acorrentada, desmotivada
Eu também naquele carro fui executada

Eu tenho ódio, pavor, eu sinto medo
A escravidão não acabou, estão matando os negros
Estou cansado de ser esculachado
Roubado, oprimido, preso, forjado

Refrão
Preto aqui não têm direitos
Não têm direitos
Mulheres pretas aqui não têm direitos
Não têm direitos

Temos que aguentar a dor
Sou obrigada a parir o filho do meu estuprador
O poder opressor, manipulador
Eles batem até em professor

Nem sempre eu sou tão forte
Mas vou tá lá, gritando contra a morte
Gritando contra o poder machista branco
Presente hoje e sempre Marielle Franco

Refrão 2X

M Zorzanelli