Quem nunca entrou em um elevador desconhecido na volta de um compromisso, depois de ter executado com competência na ida a tarefa de apertar o botão reservado ao andar desejado, e caiu em uma espécie de crise existencial ao não identificar o botão que o devolveria à segurança do pavimento térreo com acesso à rua?

O mestrando em economia Fernando Jamelli está há 30 dias no elevador do prédio comercial Monet, no centro do Rio de Janeiro, após a primeira consulta com um dentista.

Ele diz já ter tentado todas as alternativas. “Muitas vezes eu sei que a portaria em vez de P é o A. Dizem que o A é de acesso. Não sei. O P aqui é de ‘pilotis’, um andar cheio de colunas em cima da garagem. Já tentei o 0, que às vezes costuma ser o térreo, mas acabei numa garagem sem ninguém. Já apertei várias teclas ao mesmo tempo, pedi ajuda, mas ninguém sabe o que fazer. Uma senhora que estavam perdida aqui comigo desistiu e voltou para o consultório do otorrino que ela foi e está dormindo no banheiro e se sobrevivendo a base de sabonete líquido e papel higiênico.”