Flávio Braile Turquino passou apenas um mês em um cargo público federal, mas foi tempo suficiente para ser convidado a participar dos esquemas de propinas milionárias da Lava-Jato. Porém, de acordo com informações colhidas em mais de dois anos de investigações, Flávio foi o único a não aceitar participar do esquema, o que lhe rendeu fama de honesto.

“Eu sinceramente tenho nojo de gente assim. A gente rouba com tanto esforço e carinho pra um cara desse vir com honestidade estragando tudo. O que eu vou dizer pros meus filhos se eles virem isso?”, contou um deputado que não quis se identificar.

Segundo os vizinhos de Flávio, ele recebia cartas anônimas de outros empresários e políticos falando que ele não era bem-vindo ali.

“Ele recebia muitas cartas dizendo que ele era uma aberração da natureza. Que Deus criou Barrabás pra roubar e ficar impune e que ele era uma vergonha pro Brasil. Ele ficava muito triste”, contou uma vizinha.

Flávio cogitou sair do Brasil e ir para a Dinamarca para fugir do preconceito, mas seus parentes o aceitaram assim como ele é e o convenceram a ficar por aqui e enfrentar tudo isso.

O GAH, Grupo de Apoio à Honestidade, fundado por Silvestre dos Santos, um eletricista que achou e devolveu uma bolsa de dinheiro em 2009, diz que esses casos só fortalecem o movimento e que eles esperam que mais honestos saiam do armário a cada ano.

“Estamos crescendo cada vez mais e espero um dia poder erradicar toda a honestofobia no Brasil”, contou Silvestre.