“A oferta era tentadora. Uma máquina de escrever “com pouco uso” por apenas R$ 5 mil. O hipster Marcelo Pereira viu o anúncio em seu iMac de 27 polegadas. Olhou o monitor, o teclado, o mouse sem fio e pensou: “Pra quê eu preciso disso? É muito consumo”. Clicou no “comprar” e três dias depois a máquina chegava à sua casa. O cheiro do óleo, o barulho das teclas golpeando, a tinta passando para o papel, o relevo. Aquilo o deixou inebriado. “Isso é que é vida”.

“É muito mais charmoso, muito mais sustentável, muito mais moderno, porque já imprime imediatamente o que a gente escreve”, disse ele a um amigo, que estranhou a troca.

O tempo passava e Pereira mandava cartas para os amigos. Ninguém respondia, mas ele se sentia bem. Começou a olhar o iMac e percebeu que podia fazer algum dinheiro. Aproveitou o Desapega Week da OLX, anunciou o computador e vendeu por lá mesmo. Agora ele está tentando um jeito de se inscrever no site do concurso da Polícia Federal com a máquina de escrever. A PF, agora, tem uma cota para hipsters.”