Herói da maior das revoluções, paladino da justiça social, comandante que fez de Cuba o país com melhores índices de saúde e educação da América Latina? Ou ditador sanguinário que, com mãos implacáveis, transformou a vida do povo cubano num inferno, fuzilando quem fosse oposição a seu regime e deixando os cidadãos da ilha privados dos melhores iogurtes?

Sem meios termos, as opiniões radicalmente opostas sobre Fidel Castro, no momento de sua morte, aos 90 anos, deixaram os historiadores confusos. Seria Fidel um so? Estaríamos mesmo falando da mesma pessoa? “Não estamos encontrando um só ponto que una essas duas personalidades descritas pelas pessoas”, diz Thales Gusmón, do setor de RIPs do Instituto Nupal, o Núcleo de Pesquisas da América Latina. “Talvez ele tenha sido mais de um ou tenha dupla personalidade. Ou, talvez, as pessoas nas redes não saibam pensar fora de suas convicções pessoais”.

Durante nove dias, o Instituto Nupal se chamará Instituto NuMeioPal, em homenagem a Fidel.