A operação Lava Jato executou, na manhã de hoje, sua 29ª fase, intitulada “Deu no New York Times”. Segundo delegados da PF de Curitiba que deram entrevista coletiva agora há pouco, o objetivo da operação foi cumprir um mandato de busca e apreensão de um contêiner de mortadela no porto de Santos.

As peças de mortadela seriam pagamento para veículos de imprensa internacional por favores prestados ao governo Dilma.

Na última semana, veículos de comunicação internacionais tradicionais fizeram reportagens sobre o momento político do país. Os jornalistas, em sua maioria, apontaram irregularidades no processo de impeachment que a presidente Dilma Rousseff sofre. Textos no inglês The Guardian, na revista alemã Der Spiegel, no americano The New York Times, entrevistas na rede de TV CNN e editoriais em diversos jornais apontaram que a presidente Dilma não é acusada de corrupção, que as “pedaladas fiscais” sempre foram um recurso tolerado em todas as esferas do executivo do país e que a Câmara de Deputados, que julga Dilma, está atolada até o pescoço em escândalos de corrupção – com destaque especial para o presidente Eduardo Cunha.

Desde que as primeiras reportagens começaram a sair, jornalistas brasileiros atacaram com virulência seus colegas internacionais. Comentaristas de TV e colunistas de jornal que até outro dia tratavam os veículos estrangeiros com reverência escreveram longas diatribes desclassificando os colegas.

Uma comentarista de um canal de notícias na TV a cabo deslocou o ombro de tanto fazer “aspas” no ar ao falar a palavra golpe.

“Só pode ser pão com mortadela. Se a Polícia Federal não desbaratar mais este esquema pútrido do Partido dos Trabalhadores, o Brasil não terá credibilidade para vender nem um cacho de bananas para o exterior. Não tem golpe”, disse um colunista de uma rádio.

“Sinto vergonha de ser americano”, disse o ex-colunista de uma revista nacional que agora milita num blog de direita. “Digo, sinto vergonha de sempre ter puxado o saco dos americanos”, corrigiu.

M Zorzanelli