A vida do arquiteto Márcio Mello seguia se curso normal: o trabalho, o noivado de sete anos com a amiga de infância, os dias felizes ao lado da mãe e os shows do Buraco da Lacraia. Até que, há dois dias, usando o WhatsApp, o corretor ortográfico de seu Iphone 6 Plus branco de capinha dourada com foto da Madonna fez uma estranha correção: substituiu “você” por “bofe”. Um pouco depois, ele tentou escrever “persiana” e o corretor mudou para “pintosa”. Por fim, mandando uma mensagem para uma cliente, “o óleo” foi substituído por “uó”.

Depois de 48 horas recluso, sem ver ninguém, ouvindo apenas seus discos antigos de Gloria Gaynor e Donna Summer, Márcio saiu – não só de casa, mas também do armário. Terminou com a noiva, passou a trabalhar como decorador e agora está “conhecendo” seu pedreiro de fé, Sebastião, muito “odara”, segundo ele.

O fenômeno dos corretores que dão “dicas” está se alastrando. Em Brasília, já correm os boatos de que os corretores de Eduardo Cunha e Renan Calheiros, já substituem “eu” por “ladrão”.