Há uma semana mantido longe de casa contra sua vontade, o engenheiro de produção Matias Gumercindo, de 37 anos, viu seu drama chegar ao fim na noite de ontem. Na quarta-feira da semana passada, sua mulher, a dentista Fernanda Souza, 34, entrou na loja Zara “para comprar uma blusinha” e o deixou na porta do provador.

Matias não sabia, mas a mulher na verdade havia recebido um cartão de crédito novo com alto limite e queria renovar o guarda-roupas. Os números impressionam e podem chocar.

Fernanda provou 345 blusas, 87 vestidos, 49 calças, 575 peças íntimas entre calcinhas, sutiãs e meias-calças, mil e quinhentos pares de sapato, fez 43 amigas e acabou levando apenas um echarpe.

Neste período, Matias ficou encostado próximo à porta do provador sem conseguir falar com a mulher, que aparecia a cada duas horas para dizer: “fica aí, tá quase”. Ele sobreviveu à base de balas de iogurte que encontrou na bolsa da mulher, que segurava, e tomando água que pingava de um ar condicionado split.

“A gente nunca imagina que a gente vai sofrer esse tipo de coisa, ainda mais vindo de alguém que a gente ama. Foi muito traumático mas agora é recolher os pedaços e tentar retomar a vida”, diz.

M Zorzanelli