Em sua página na internet, a ONG RecomeçArte descreve assim os jovens que fazem parte de seu mais novo programa: “Meninos e meninas em situação de risco social, convivendo em ambientes não apropriados para a idade e sujeitos a interações com pessoas que podem influenciar negativamente suas escolhas”. Quem achar que os adolescentes citados saem das favelas ou periferias do Brasil estará muito enganado. “Somos especializados em oferecer uma mão amiga para filhos de subcelebridades”, diz Joana Cardoso, diretora da ONG.

Joana e seus parceiros passam o dia em sites de celebridades procurando possíveis “vítimas”. Ela disse que o caso mais gritante e que revoltou toda sua equipe aconteceu há algumas semanas, quando uma modelo e atriz posou besuntada de óleo e sem camisa, ao lado de seu filho, também nu da cintura para cima. Em outra foto, uma adolescente posa ao lado de sua mãe, tendo como companhia um usuário de esteróides anabolizantes.

Depois de alguns meses de psicoterapia, os jovens são encaminhados a um serviço de reinserção na sociedade que funciona nos moldes dos serviços de proteção a testemunhas da polícia. “Eles recebem uma nova identidade e mudam de cidade. São adotados por famílias normais”, diz o antropólogo Rogério DaMoitta, uma espécie de mentor espiritual do projeto.

“Se a gente não fizer nada a tempo, a máquina dos sites de fofoca logo vai transformar esses jovens em assunto, exibindo-os em clínicas de bronzeamento artificial ou atacando de DJs em festas”, diz Joana, a presidente da RecomeçArte. De repente, Joana fica em silêncio e seus olhos se enchem de lágrimas. “Eu queria ter conseguido começar esse trabalho antes”, diz, enquanto afasta uma lágrima que teima em correr. “Mas já era tarde demais para a Thammy”.