A vida do atleta russo de salto com esqui Nicolai Smirnov não está fácil. Todos os dias ele chega no vestiário de sua equipe, nas olimpíadas de inverno, e se depara com algum tipo de bullying feio por aqueles a quem ele já chamou de camaradas. Um esqui sumido, vários nós em seu cachecol, cola dentro das luvas. Nocolai sofre. E sabe o motivo: ele é o último russo ainda livre de exames de doping positivo na história dos jogos.

O recorde, que é motivo de elogios nos países do Ocidente, é encarado na Rússia como arrogância ou psicopatia. Listado nas finais de sua modalidade, Smirnov – que, apesar do nome, garante que também não gosta de álcool – está preocupado com seu desempenho. “Sem substâncias proibidas e chateado com o tratamento dos colegas, acho que vou acabar caindo”, afirma. “Hoje meu maior obstáculo é ser honesto”.

Depois da desclassificação do casal do curling por doping e a devolução da medalha de ouro, foi a vez da atleta do bobsled Nadezhda Sergeeva ser pega. “Agora o jeito é assistir pelo SporTV”, disse ela. “Sinal legítimo, não é ‘gato’ não”, acrescentou, assustada.