Suspensão da ação criminal por desastre de Mariana mostra que lama pode ter atingido a Justiça

O processo criminal que busca os culpados pela maior tragédia ambiental da história do Brasil foi suspenso pela Justiça Federal após pedido feito pela defesa de ex-diretores da Samarco. O pedido alega que provas foram produzidas pela PF de maneira ilícita.

O Ministério Público nega a acusação – mas ninguém sabe explicar por que o caso ficou em segredo desde o dia 4 de julho. As empresas Samarco, Vale, BHP Billiton, VogBR e mais 22 pessoas ficariam sem condenação.

A suspeita é que a lama tóxica que matou 19 pessoas, destruiu povoados e poluiu 650 km de terras e rios entre Mariana e o litoral do Espírito Santo pode ter atingindo também a Justiça.

Fontes internas garantem que alguns gabinetes do judiciário estariam atolados na lama até hoje. “A quebra do sigilo telefônico que revelou a ligação dos réus com a tragédia é a única coisa limpa por ali. Engraçado é como os advogados conseguiram falar com lama até o queixo”, disse uma fonte ligada ao caso.

Os papéis que obrigam a Samarco e suas controladoras a depositar 1,2 bilhão de reais como medida reparatória dos danos causados também parece ter sido manchado pela lama – isso porque o prazo já foi prorrogado três vezes e, até agora, nada.

A tramitação do processo, que foi aceito em novembro de 2016, está paralisada há um mês, o que indica que, bem como em Mariana, os danos da tragédia ainda podem ser vistos também na Justiça Federal.