Se fosse vivo Niemeyer teria que trabalhar mais 10 anos para se aposentar pelas novas regras

O governo federal apresentou nesta terça-feira uma nova proposta de reforma da Previdência, visando aumentar não apenas o tempo de contribuição como também a idade mínima para aposentadoria. Aumentando em quanto? Segundo especialistas da área, aumentando o bastante para que, se Oscar Niemeyer estivesse vivo, ele ainda tivesse que trabalhar por mais dez anos para se aposentar.

Ao menos é isso que indicam as simulações realizadas dentro do novo sistema. “A solução do governo para o problema da aposentadoria foi bem simples.”, afirma o especialista em previdência pública Daniel Ferrari, “Eles simplesmente fizeram com que as pessoas morram antes de se aposentar, o que permite que o governo não pague aposentadorias e assim zere o seu déficit”.

Segundo os cálculos do especialista não apenas Niemeyer, que morreu aos 104 anos ainda teria mais 10 anos de trabalho pela frente como Sílvio Santos, aos 85 anos, ainda teria no mínimo mais 30 anos a contribuir. Apenas Dercy Gonçalves, falecida com 86 anos de carreira, poderia ter recebido a aposentadoria integral dentro das novas regras do governo Temer, e mesmo assim “com certeza iam conferir os documentos várias vezes e ia ter a maior fila”, afirma Daniel.

Segundo o especialista a melhor solução para o brasileiro que ainda sonha em se aposentar é entrar no mercado de trabalho cada vez mais cedo. “Eu mesmo já substituí a certidão de nascimento do meu filho por uma carteira de trabalho, o primeiro teste do pezinho dele já foi num sapato social. Com isso acredito que ele possa sim se aposentar aos 90 anos, a nova média de idade para parar de trabalhar no Brasil”.