Em 2012, a judoca brasileira Rafaela Silva, nascida na Cidade de Deus, Rio de Janeiro, então medalha de prata nos jogos pan-americanos, foi eliminada da olimpíada de Londres pela húngara Hedvig Karakas. Na luta, Rafaela segurou a perna da adversária para dar um golpe específico – algo que havia acabado de ser banido – e foi desclassificada.

Não bastasse o drama da derrota polêmica, Rafaela abriu o Twitter e encontrou um massacre de sua reputação em curso. Pior, ofensas voltadas não só a ela, mas aos 50% da população brasileira que se consideram negros. Racismo, portanto crime inafiançável.

Hoje, quatro anos depois, a menina negra e pobre da favela ganhou a primeira medalha de ouro para o Brasil na olímpiada em sua casa. A única do judô.

Vale relembrar, para que nunca mais aconteça, o que aconteceu em 2012.

Ignorância e violência por todos os lados

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Os tweets mais foram, obviamente, apagados pelos covardes. Mas Rafa mostrou seu celular em 2012 ainda em Londres aos repórteres

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Nada mais oportuno que ofender citando a escravidão, não é mesmo?

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Além das injúrias racistas, houve uma enxurrada de ignorância contra a menina pobre e negra de gente que, de uma hora para outra, se intitulou especialista em judô

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A Rafa respondeu no dia com totalmente justificável fúria no dia. Mas a resposta de verdade, a resposta sublime que, nas palavras dela, custou “sair chorando de dor dos treinos todos os dias”, veio hoje

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Não se sabe por que Rafaela Silva é maior: por que venceu as ofensas cruéis ou se ao vencer as melhores do mundo. Provavelmente pelos dois – até porque nossa campeã fez as duas coisas ao mesmo tempo.

Marcelo Zorzanelli