Polícia do Rio vai considerar mortos em áreas violentas como homicídio consensual

A polícia do Rio de Janeiro acaba de divulgar uma nova diretriz interna que transforma os assassinatos em áreas violentas não como crime de homicídio, mas como uma espécie de crime em que há o “consenso” da vítima.

Tudo isso porque, nesta semana, um adolescente morador de uma favela, de 14 anos, foi torturado e morto por um grupo rival e as imagens foram parar na internet. Mesmo identificados os homens que praticaram o ato, o secretário de Segurança e o chefe da Polícia Civil consideram que não “dá para ter certeza do que aconteceu”.

“Para prender, falta detalhe técnico”, afirmou o delegado Francisco Colt. “O local onde o adolescente estava é conhecido como abatedouro. Se ele foi ali foi pra morrer. Nem a gente entra naquela aérea”, disse o secretário.

“Se você entra numa zona de guerra e pisa numa mina e ela explode, você não pode reclamar”, disse o policial civil. “Se pisa na mina, o problema é seu. Neste caso, e só neste caso, a culpa nunca é da mina.”

Sobre a quantidade de provas materiais, registros fotográficos e em vídeo, depoimentos e denúncias anônimas apontando que se tratou de um crime contra alguém indefeso, o delegado foi taxativo: “Veja bem, às vezes o morto pede para morrer. Ele sai de casa vestido só de bermuda, sem camisa, de chinelo de dedo. É roupa de vagabundo. Se não quer morrer, não pode usar roupa de vagabundo. Essa roupa convida ao homicídio.”